2011/09/07

Isto me lembra...

Mambembe - Chico Buarque
Quando o Carnaval Chegar, filme de Cacá Diegues



Vi este filme quando era menina. Foi um filme que me marcou muito e de que me lembro sempre, de que me lembro aqui e ali. Uma banda sonora que tenho ouvido e cantado ao longo da vida. Um filme que quero que a minha filha veja. Uma referência, enfim.

Hoje, eu me vejo e revejo neste bando, e nos imagino assim, mambembes, contando por aí feito loucos num autocarro com uma grande boca por onde saem muitas, muitas histórias e canções.

2011/09/03

receita de verão


Já que a Cristina Paiva nos põe a adivinhar poetas, também eu posso pôr as pessoas a adivinhar isto.
Quem sabe o que é esta receita de verão?

Misturar numa tigela grande:
Mar absolutamente transparente em grande quantidade; sol idem; um pouco de areia; 2 chávenas de peixes pequenos; algas q.b. ; relaxamento abundante; inspiração a gosto; 3 montanhas fortemente arborizadas ao longe; 2 ou 3 barcos à vela no horizonte; ruído de fundo à distância de vozes infantis; sombra q.b. ; algumas rochas arredondadas; 1 colher de sopa de conchas pequenas; a mesma quantidade de pedrinhas de várias cores.
Misturar moderadamente e tomar regularmente no decorrer de vários dias. Terminar com sardinhas assadas no 13. 

Boa sorte!
lu

2011/09/02

a forma das histórias



2011/08/30

Jeremias #2

(Nota introdutória: antes de prosseguir leia "Jeremias #1", um post anterior, deste blog.)

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Sempre que passo por ali vejo a mesma mulher e a sua pequena cadela castanha de longas orelhas, ambas sentadas no banco de pedra, ao lado da igreja amarela, com sacos de compras aos seus pés.

A sua presença diária e permanente, sempre que por lá passo, faz-me pensar que sempre que passo por lá, é como se passasse ali pela primeira vez, uma mesma vez, uma vez intemporal, porque ali nada muda e isso faz-me pensar que o tempo não passa, que vivo todos os dias o mesmo dia, pela primeira vez.

Na realidade, quer a mulher quer a sua cadela – que eu vi pela primeira e única vez há já muito anos –, já terão morrido, porque quando as vi já eram ambas velhinhas, mas eu criei uma escultura com estas duas figuras e ainda que seja uma escultura um pouco tosca faz-me recordá-las e com isso fixar o tempo e continuar a viver aquele dia, daquela mesma forma.

Na realidade, eu não criei uma escultura que todos possam ver mas sim uma espécie de representação imaginária permanente, virtual, apenas para mim, de modo que sempre que eu passo por ali, vejo a mesma mulher, com a sua cadela castanha de longas orelhas, ambas sentadas no banco de pedra, ao lado da igreja amarela, com sacos de compras aos seus pés.

Na realidade, o banco de pedra também já não existe, pois agora está instalado nesse lugar um pequeno estaleiro de obras que ali fará nascer um parque de estacionamento subterrâneo; porém, no lugar desse estaleiro de obras, eu vejo a mulher, com a sua cadela castanha de longas orelhas, ambas sentadas no banco de pedra.

Na realidade, não é só da mulher, com a sua cadela castanha de longas orelhas, com sacos de compras aos seus pés, que eu criei uma “escultura”.

Criei muitas mais esculturas por aí; comecei a criá-las logo a partir das primeiras imagens que vi no primeiro dia em que passeei pela baixa de Lisboa, logo desde o momento em que dei início à minha deriva e por aí fui passeando.

E de todas as imagens que eu vi – todas as situações, circunstâncias, episódios que quis guardar para recordar mais tarde – eu criei essa espécie de imagem virtual e assim, povoei a baixa da cidade com imagens que mais ninguém vê.

Muitas dessas imagens sobrepõem-se no mesmo espaço, tendo ocorrido em tempos diferentes mas eu acumulo-as no local onde decorreram.

Às vezes, também me ocorre, deslocar algumas dessas imagens para outros lugares que tenham menos gente, isto é, com menos destas representações virtuais, para não sobrepor muitas imagens que tornaria esse local mais confuso.

Às vezes agrupo estas imagens por algum tipo de classificação e distribuo-as por várias ruas e largos, para não me confundir.

Às vezes, todavia, esqueço-me dos critérios utilizados nessa distribuição e pergunto-me porque razão coloquei num determinado local uma determinada imagem.

Outras vezes, como algumas dessas imagens são tão reais, baralho-me: são mesmo pessoas e seres ainda vivos que ali estão ou são “as minhas imagens”?

Acontece também que, por vezes, tenho dificuldade em encontrar o melhor local para uma destas minhas imagens.

E é disso que eu, hoje, queria falar consigo.

Estou com um problema, é que no estaleiro das obras do parque de estacionamento subterrâneo, ao lado da igreja, passou-se um novo episódio, e gostava que aquele espaço ficasse, pelo menos para já, só com a imagem das pessoas envolvidas nessa nova situação.

Então a pergunta é: onde é que acha que eu poderei colocar aquela mulher, com a sua cadela castanha de longas orelhas, ambas sentadas no banco de pedra, ao lado da igreja amarela, com sacos de compras aos seus pés?


Jeremias,





António, in "Memórias Inventadas"

2011/08/12

urbanidades


As cidades também são locais de comunidade, arte, movimento, beleza, ritmo, música, cor,...


vídeo MÖBIUS

Möbius - Melbourne


bjñs
sfaia

2011/08/05

Danças

Com a Anto em Itália a dançar a tarantela e os restantes membros do bando no Andanças, em São Pedro do Sul, a dançar tudo o que puderem, resta-me partilhar convosco uma dança que tem engenho, graça e história.

bjñs
sfaia

2011/07/31

The Fantastic Flying Books
of Mr Morris Lessmore Trailer

http://vimeo.com/17164728

A Paula Cusati de Santiago do Cacém
fez-me descobrir esta maravilha.
Carreguem no link e sonhem.

Só para quem gosta vive de livros

anto