2011/10/26

falando de unicórnios:


bjñs
Sfaia

2011/10/25

o unicórnio de porcelana

Apesar de todas as misérias, infelicidades, ofensas, sofrimentos e maldade, é extraordinário como as pessoas têem capacidades insuspeitas para ultrapassar tanta coisa e recuperar a inocência, a ternura, a capacidade de se comoverem e consigam encarar a vida com naturalidade e alegria.
Este pequeno filme do youtube é mesmo precioso. Um amigo enviou-mo e não resisto a partilhá-lo.
É mesmo  precioso.

luisa



 http://www.porcelainunicorn.com//




2011/10/14

elefantes

Eu, que gosto tanto de elefantes, que conto histórias de elefantes, gostava de ter uma bela fotografia de elefantes para pôr aqui... mas como não tenho, paciência. Transcrevo apenas este poema do Mário Cesariny:


elefantes
Elefantes na água optimistas à solta
optimistas à solta elefantes na árvore
elefantes na árvore optimistas na esquadra
optimistas na esquadra elefantes no ar
elefantes no ar optimistas em casa
optimistas em casa elefantes na esposa
elefantes na esposa optimistas no fumo
optimistas no fumo elefantes na ode
elefantes na ode optimistas na raiva
optimistas na raiva elefantes no parque
elefantes no parque optimistas na filha
optimistas na filha elefantes zangados
elefantes zangados optimistas na água
optimistas na água elefantes na árvore

saudações elefânticas
lu

2011/10/10

Outras avós

E há outras avós que não contam histórias da forma mais doce:

2011/09/30

eu também tive avó!

 Gostei muito do avô do António, do avô da Antonella... e então eu, não tive avós?
Claro que tive, lembro-me bem da minha avó Luísa, de quem herdei o nome, e da história do divã. Aqui está ela: 



O divã da minha avó

Quando eu era criança a nossa família vivia numa casa grande, em Lisboa que, apesar de ter muitas divisões, não tinha propriamente uma sala de estar. Por isso a nossa sala de estar era a sala de jantar, que era enorme e onde havia, não um sofá, mas um magnífico divã cheio de almofadas de várias cores. Era o sítio onde eu mais gostava de me sentar, ou acocorar, ou ajoelhar, ou reclinar,ou deitar conforme as circunstâncias. Porque havia o cadeirão da minha avó Luísa onde mais ninguém se podia sentar, o cadeirão do meu pai, idem, a cadeira de descanso da minha mãe, idem, idem e as cadeiras vulgares de sentar à mesa que eram de costas direitas e não estofadas e não davam jeito nenhum para descontrair. Ali no divã grande sim, toda a gente se podia sentar, normalmente com um certo aprumo, mas às vezes também sem aprumo nenhum e até se podia cabriolar se o meu pai não estivesse presente. Até o gato podia ir para o divã! Ah, aquele divã! Com uma coberta de seda amarela escura, côr de ouro velho e cheiinho de almofadas! A minha avó também se sentava lá muitas vezes para que nós as crianças pudéssemos ir-lhe para o colo e conversava connosco, conversava. Contava coisas da vida dela, de quando era nova ou mesmo de quando era pequenina e eu ficava sempre pasmada a ouvir porque era tão incrível, tão completamente impossível que ela tivesse sido do meu tamanho alguma vez, ou que tivesse sido rapariga nova como as minhas irmãs mais velhas, que tudo o que ela dizia tinha um sabor a conto de fadas, como se fosse de um outro mundo. E a história do divã! Era mesmo um divã precioso. Ela de vez em quando contava a história do divã:
“Este divã, minha filha, embora esteja em casa do teu pai, era meu. Fui eu que lho dei. Deu-mo a minha avó Roberta, antes de morrer, que por sua vez o recebeu como herança de uma grande amiga que ela tinha. Chamava-se Zaida e era turca. Tinha vindo com os pais para Portugal quando era pequena; Vieram fugidos da Turquia porque eram cristãos e naquela época tinha havido lá uns problemas entre os muçulmanos e os cristãos. Embarcaram com tudo o que puderam reunir, mas o navio naufragou e a única coisa que se salvou, para além das pessoas, foi este divã! Vê tu, minha filha, estás sentada num divã que já viveu na Turquia, muito loooonge, onde se sentavam de pernas cruzadas pessoas turcas a falar uma língua estranhíssima, mulheres tapadas com véus, homens de grandes bigodes retorcidos a fumar cachimbos de água e a comer pistachios. Atravessou o mar, sofreu uma tempestade terrível e quase foi ao fundo, mas escapou. Veio ter a uma praia do Algarve juntamente com as pessoas que se conseguiram salvar e por fim foi levado para a casa onde foram viver os pais da pequena Zaida que o lavaram, secaram, poliram, enceraram e trataram com todo o carinho, pois era a única peça de mobília que tinham da sua vida passada. E quando os pais morreram ficou para a Zaida e quando a Zaida morreu ficou para a minha avó e quando a minha avó morreu ficou para mim e eu dei ao teu pai e, quem sabe, quando o teu pai morrer um dia talvez possa ficar para ti?”
Para mim a história do divã era toda ela tão longínqua e estranha como a impossível ideia de que o meu pai morresse algum dia. Era um conto de fadas. Não que eu não acreditasse, mas acreditava como acreditava nos contos de fadas, uma espécie de realidade paralela, a um outro nível, que não tinha nada que ver com o facto simples e evidente de eu estar ali aos pulos do divã para o chão e do chão para o divã e a atirar almofadas ao gato. Mas só as almofadas mais pequenas.
Luísa

2011/09/26

Também tenho lembranças do meu avô Telemaco, pai do meu pai, que nunca cheguei a conhecer; tanto que esta lembrança está meia inventada e meia roubada, chegando a ser mais viva do que a verdadeira.
Quando era pequena, o mundo também era mais pequeno. A televisão ainda não tinha chegado à nossa aldeia.Não tínhamos televisão mas tínhamos lareira. E à frente da lareira havia sempre um avô ligado que contava.
Nós tínhamos sorte, porque tínhamos com certeza o melhor avô das redondezas. Alguns tinham avôs que adormeciam e desligavam logo, outros tinham avôs xexés que não sabiam contar nada, outros nem tinham avô, e passavam tristemente o serão olhando para as cinzas e ouvindo os estalidos da fogueira. Mas o nosso avô Telemaco, um exemplar robusto de 87 anos, era um extraordinário contador de lareira, e vinham de todo o lado para ouvi-lo. Diziam: “à noite vamos para a casa dos Melros, lá têm um Telemaco 87, dois polegares, que conta a história da Grande Seca de 1748…”. Ou também:”Mãe, hoje à noite o Telemaco tem o programa de contos e lengalengas para crianças, podemos ir?”. Na sexta-feira havia o serão a luz vermelha: contos porcos e picantes do local, no sábado eram os contos de guerra. Mas eu gostava era do Domingo, porque o avô Telemaco bebia a dobrar e desatava a contar sem parar, e tudo acabava só lá para as três da manhã.
Lembro-me que sentávamos todos à volta da lareira, onde ardia uma linda fogueira, e o avô Telemaco voltava da eira, onde tinha ido dar de comer aos animais, tirava as botas e, para começar, dava as previsões do tempo mexendo nos calos.
Seguiam as notícias do dia: vinhais, vacas, pegas na aldeia, estragos de maquinarias. A seguir, depois de um grande bocejo, que era o genérico para 0 fim das notícias, o avô Telemaco fazia a pontuação do conto disparando grandes arrotos, e este era o sinal que tinha comido bem, que podia ser considerado o spot publicitário da cozinha da avó.
(Outro spot era quando a cabeça caia de lado, o avô parava e quase adormecia. Mais do que um spot era como quando aparece a escrita “pedimos desculpa para a interrupção momentânea dos programas”, mas bastava atirar uma castanha inteira ao fogo, e com o barulho do estrondo o avô Telemaco recomeçava.)
Havia fábulas, contos de pescas milagrosas, aulas de agricultura, lendas do vale e contos épicos como o grande duelo das escavadoras, ou a captura do touro apaixonado, ou a construção do campo de futebol. Mas a minha preferida era a praga dos Sapos Gigantes. Um colossal de fanta-horror inspirado em factos verídicos acontecidos à 50 anos atrás. Os serões mais aborrecidos, pelo contrário, eram os cor-de-rosa, quando vinham as senhoras e queriam saber Como o Avô Tinha Encontrado a Avó, e Como Acabou o Casamento do Factor, e depois havia um pouco de fofoquices e o debate.
O avô até teria preferido contar outra coisa, mas o seu era um serviço público e por isso tinha que contentar toda a gente. Por volta da meia-noite havia o genérico final, um bocejo que mais parecia o som de uma sineta, e depois todos para a cama.
(O conserto do avô – Bar sport duemila – S. Benni)
Descansa avô... e obrigada pelos contos incríveis.
Anto

2011/09/23

de elefante...

Falando de memória, lembrei-me deste conto do magnífico Campanari:


bom fim-de-semana!
sfaia